
Um ano. Como uma vida pode ser tão transformada no período de um ano? Nesse mesmo período, há um ano, eu vivia meu último São João com Davi, nossos últimos fins de semana, nossos últimos abraços, nossos últimos beijos. O que eu teria dito a ele se eu soubesse que estávamos nos despedindo? O que eu teria feito ou o que eu não teria feito?
Mesmo sem eu e ele sabermos da aproximação do fim, Deus foi muito bom com a gente. Hoje eu percebo claramente que Ele nos permitiu uma despedida como tinha que ser. Eu e Davi vivemos, falamos e fizemos coisas antes nunca realizadas, ditas ou sentidas. Davi me disse frases como se realmente sentisse que estava indo embora. Lembro que na última vez que ouvi a sua voz, por telefone, ele falou: “Bom dia, minha linda. Hoje eu acordei com uma saudade tão grande que parece que não nos vemos há anos”. Nós tínhamos nos visto na noite anterior. E em torno de uma hora depois, ele se foi.
Uma vez li uma crônica do Carpinejar sobre a morte do filho de uma amiga. Ele disse que quando se perde alguém é como se aquele dia deixasse de existir e passássemos a ter apenas 364 dias no ano. Ele tem toda razão, mas infelizmente eu sinto algo além. Eu sinto Junho um mês morto, aguado, sem graça, insosso. Exceto pelo aniversário do meu cachorro, só ele mesmo para dar cor e vida a esse mês. Hoje sinto meu ano com apenas 11 meses.
Agora estou encerrando um ciclo. A partir de terça-feira eu saberei o que é passar cada data do ano sem ele. Não sei se será menos difícil, mas não será mais novo. E como sempre tento ver o lado bom das coisas, eu acho que isso já tornará os dias melhores. Eu não me entreguei até hoje, não serão esses próximos dias que me derrotarão. Continuarei me respeitando, tendo paciência comigo, mas seguindo. Também não pretendo escrever mais sobre ele, não com tanta freqüência, acho que será melhor assim.
Mas o fato é eterno. O que quer que eu escreva, para onde quer que eu vá, ele sempre estará dentro de mim, no melhor de mim...até o fim.




